
Este é o segundo artigo da Jornada do Acordeonista no Palco, série criada pela Harmonik a partir do e-book “O Acordeonista no Palco” e apresentada por um de seus fundadores, Jonatan Dalmonte.
Aqui, seguimos avançando na história da amplificação do acordeon, olhando para as primeiras soluções utilizadas ao longo do tempo, seus avanços, limitações e os problemas que ainda acompanhavam o músico no palco.
Depois de entender por que o acordeon é um instrumento complexo de amplificar, chegou o momento de olhar para como essa amplificação começou a ser testada na prática. Vamos juntos mergulhar na história das captações!

A primeira ideia: captar tudo a partir do fole
Durante muito tempo, uma das soluções mais utilizadas foi a instalação de uma cápsula de microfone dentro do fole do acordeon, com a proposta de captar simultaneamente os dois lados do instrumento.
Na teoria, parecia uma solução simples. Na prática, dois grandes problemas surgiram imediatamente:
O som captado não era natural, pois o microfone não reproduzia a forma como o acordeon realmente projeta o som para fora.
A variação de volume era inevitável: à medida que o acordeonista abria ou fechava o fole, um dos lados perdia intensidade sonora, dependendo da posição do microfone.
O resultado era um som instável, pouco fiel e difícil de controlar, especialmente em apresentações ao vivo.
A chegada das cápsulas de eletreto e os microfones externos
Com o desenvolvimento das cápsulas de eletreto, surgiram novas tentativas. Uma delas foi adaptar microfones originalmente projetados para instrumentos de sopro e posicioná-los sobre a tampa do acordeon.
Essa solução trouxe uma melhora perceptível na fidelidade sonora, mas abriu novos problemas:
- Comprometia a estética do instrumento, algo muito sensível para acordeonistas.
- Tinha custo elevado, tornando-se inacessível para muitos músicos.
- Criava dependência de posicionamento e ajustes constantes, o que dificultava a rotina de palco.
Ou seja, o som melhorava, mas a experiência do músico ainda estava longe do ideal.

Microfones internos: fidelidade com novos desafios
O passo seguinte foi levar esses microfones para dentro da tampa do acordeon. A proposta era manter a fidelidade sonora e eliminar o impacto visual.
De fato, a qualidade sonora avançou bastante. No entanto, surgiram novos obstáculos técnicos:
- Espaço físico limitado: a tampa do acordeon não foi projetada para receber microfones, jacks e potenciômetros.
- Ruídos mecânicos, causados pelo funcionamento natural do instrumento.
- Desafios no cabeamento dos baixos, já que qualquer fio passando pelo fole – que está sempre em movimento – aumenta drasticamente o risco de mau contato e falhas.
Esse conjunto de soluções representava um avanço, mas ainda exigia adaptações complexas e comprometia a confiabilidade no uso contínuo.
Um problema para cada instrumento e também para o músico
Outro ponto crítico passou a ficar evidente: não existe um acordeon padrão. Um instrumento de 120 baixos exige soluções completamente diferentes de um acordeon menor.
Instrumentos com quarta ou quinta de voz, com ou sem cassoto, com diferentes números de castelos e construções internas, apresentam comportamentos sonoros distintos.
Isso tornava a escolha da captação ainda mais difícil e levantava perguntas que todo acordeonista já se fez em algum momento:
Qual captação é ideal para o meu instrumento?
Qual funciona melhor no palco? E no estúdio?
Quanto investir?
Vale a pena adaptar ou buscar uma solução pensada especificamente para o acordeon?

O cenário atual: mais opções, mais dúvidas
Hoje, felizmente, o mercado conta com diversas marcas e modelos de captação para acordeon. Isso representa um avanço importante, mas também traz um novo desafio: escolher corretamente.
A amplificação do acordeon deixou de ser apenas uma questão de “fazer som” e passou a envolver fidelidade, estabilidade, controle, conforto no palco e identidade sonora.
É exatamente nesse ponto que a Jornada do Acordeonista segue avançando.
Nos próximos capítulos, vamos mostrar como a engenharia passou a caminhar lado a lado com a música, quais conceitos mudaram definitivamente a captação do acordeon e como o músico deixou de improvisar soluções para finalmente tocar com segurança, liberdade e som natural.

ASSISTA AO CAPÍTULO 2
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