A equalização do acordeon é um dos recursos mais importantes durante uma apresentação. Ela permite corrigir características do sistema de som, destacar o instrumento na mixagem e adaptar o timbre para diferentes estilos musicais. No entanto, para fazer bons ajustes, é preciso entender o que cada faixa de frequência representa e como ela interfere no resultado final.
Neste capítulo da Jornada do Acordeonista, vamos entender como a equalização funciona e como utilizá-la de forma consciente. Preparados para deixar o som do palco ainda mais definido?

Qual é a função da equalização do acordeon?
A equalização pode cumprir dois papéis diferentes. O primeiro é a equalização corretiva. Ela busca compensar características da captação, da mesa de som ou do sistema de áudio para aproximar o resultado do timbre natural do instrumento.
Já a equalização artística parte de outro objetivo. Nesse caso, os ajustes ajudam o acordeon a ocupar melhor o seu espaço dentro da música. Porém, dependendo do estilo, algumas frequências podem receber mais destaque enquanto outras são suavizadas. Por isso, não existe uma regulagem única que funcione para qualquer situação.

Como a equalização muda de acordo com o estilo musical?
Você já sabe que o contexto faz toda a diferença na hora de equalizar. Ou seja, em um forró pé de serra, por exemplo, reforçar a região dos graves pode trazer mais peso aos baixos do acordeon. Já no chamamé ou na música gaúcha, destacar os agudos costuma favorecer o brilho e a definição das melodias. Em bandas de sertanejo, os médios ajudam o instrumento a ganhar presença sem disputar espaço com os demais músicos.
Antes de ajustar qualquer frequência, vale observar quais instrumentos dividem o palco com você e qual papel o acordeon desempenha naquele repertório.

Quais frequências merecem mais atenção?
Conhecer as principais faixas de frequência facilita tanto os seus ajustes quanto a conversa com o técnico de som. De forma geral, podemos considerar:
- 40 a 100 Hz: profundidade dos baixos.
- 200 a 300 Hz: corpo dos baixos.
- 300 a 600 Hz: corpo do teclado, região mais propensa à microfonia.
- 800 Hz a 2 kHz: médios mais agressivos.
- 3 a 5 kHz: definição e clareza sonora.
- 8 a 12 kHz: brilho do instrumento.
Essas referências ajudam a localizar com mais rapidez aquilo que está sobrando ou faltando no timbre.
Como treinar o ouvido para equalizar melhor?
Uma das melhores formas de aprender equalização é experimentar! Durante os estudos ou ensaios, utilize um equalizador e altere uma faixa de frequência por vez. Escute atentamente como cada ajuste modifica o timbre do acordeon e, com o tempo, fica muito mais fácil reconhecer quais frequências precisam ser reforçadas ou reduzidas em diferentes situações.
Esse exercício também torna a comunicação com o técnico de som mais objetiva durante a passagem de palco, levando em conta que ele é um personagem crucial para que o som seja mais vivo, real e emotivo.

A Jornada continua
A equalização do acordeon é um fator que depende dos equipamentos usados. Ela também depende da percepção do músico e da compreensão de como cada frequência interfere no timbre. Quanto mais você conhece o comportamento do seu instrumento, mais rápido consegue encontrar o som que procura.
Claro, além de conhecer e familiarizar-se com o instrumento, a captação faz diferença na hora de compor o time. Com isso você tem a garantia da sinergia entre você e a plateia, sem se preocupar com a parte técnica.
Este capítulo faz parte da série A Jornada do Acordeonista, apresentada por Jonatan Dalmonte. Nos próximos episódios, continuaremos explorando aspectos técnicos e práticos que ajudam o acordeon a responder com mais naturalidade em qualquer palco.

Para acompanhar esta série em áudio e vídeo, acesse:
👉 YouTube da Harmonik “A Jornada do Acordeonista”
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