A microfonia no acordeon está entre os problemas que mais geram dúvidas durante uma passagem de som. É comum ouvir recomendações para aumentar o ganho, baixar o volume ou fazer diferentes ajustes na mesa. Mas será que essas mudanças realmente resolvem a microfonia? E até que ponto ganho e volume influenciam o comportamento da captação?
Neste capítulo de A Jornada do Acordeonista, vamos entender a relação entre ganho, volume e microfonia no acordeon, três conceitos que aparecem constantemente na rotina de quem toca ao vivo, mas que nem sempre são compreendidos da forma correta.
Ganho e volume influenciam a microfonia no acordeon?
Apesar de muitas vezes serem tratados como sinônimos, ganho e volume exercem funções diferentes dentro do sistema de áudio.
O ganho ajusta a intensidade com que o sinal entra em um equipamento. Seu objetivo é fazer com que esse sinal trabalhe próximo do nível ideal, preservando a qualidade sonora e reduzindo a possibilidade de distorções.
Já o volume atua na intensidade de saída. Depois que os sinais dos diferentes instrumentos são ajustados, o volume ajuda a construir o equilíbrio final da mixagem.
Em uma apresentação, por exemplo, bateria, contrabaixo, guitarra e acordeon precisam coexistir de forma equilibrada. É nesse momento que o controle de volume assume seu papel dentro da sonorização.

O que causa microfonia no acordeon?
Uma das dúvidas mais frequentes entre músicos é justamente a relação entre ganho, volume e microfonia no acordeon.
Muitas pessoas acreditam que diminuir o volume da captação ou alterar o ganho da mesa pode resolver o problema. No entanto, a situação é mais complexa.
A microfonia acontece quando o som reproduzido pelas caixas retorna ao microfone com intensidade suficiente para criar um ciclo contínuo de realimentação sonora.
O ganho, o volume e a potência do sistema podem influenciar essa intensidade acústica. Porém, eles não determinam a capacidade da captação de rejeitar a microfonia.
São fatores diferentes e, por isso, precisam ser analisados separadamente.
Como evitar microfonia no acordeon?
A capacidade de uma captação suportar volumes elevados sem gerar microfonia está diretamente relacionada ao seu projeto e à forma como foi instalada no instrumento.
Por isso, reduzir o volume da captação e aumentar o ganho da mesa, ou fazer o contrário, não altera a eficiência do sistema em rejeitar a microfonia. O que muda é a forma como o sinal percorre a cadeia de áudio.
Quando a captação foi desenvolvida para trabalhar em ambientes de palco e instalada corretamente, ela tende a apresentar um comportamento muito mais previsível, mesmo em situações de maior pressão sonora.

Por que entender ganho e volume ajuda no palco?
Conhecer a função de cada ajuste evita decisões baseadas em tentativa e erro.
Quando você entende o papel do ganho, do volume e da própria captação dentro do sistema, consegue se comunicar melhor com técnicos de som, fazer ajustes mais conscientes e construir uma experiência mais estável no palco.
Além disso, passa a identificar com mais facilidade a origem dos problemas. Em muitos casos, a dificuldade não está no controle que está sendo ajustado, mas na expectativa criada sobre o que ele realmente pode resolver.
A Jornada continua
Entender a microfonia no acordeon também faz parte do processo de construir um som consistente no palco. E quanto maior o conhecimento sobre cada etapa da cadeia de áudio, maior a segurança para tomar decisões durante uma passagem de som.
Este capítulo faz parte da série A Jornada do Acordeonista, inspirada no e-book O Acordeonista no Palco e apresentada por Jonatan Dalmonte. Nos próximos episódios, seguimos explorando os detalhes que ajudam o músico a construir um som mais consistente, previsível e fiel ao instrumento.

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